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Martine Grael se torna pioneira no SailGP de vela
Bicampeã olímpica, a brasileira Martine Grael se tornou este ano a primeira mulher a comandar um F50, um barco capaz de alcançar 100 km/h utilizado no circuito SailGP. Um progresso significativo em um ambiente majoritariamente masculino.
O Brasil está atualmente na décima posição de um campeonato que reúne 12 equipes que se enfrentam em 'match race' (um contra m) em regatas próximas da costa.
Devido ao mau tempo, as regatas previstas para este sábado (13) em Saint-Tropez, na França, tiveram que ser canceladas, então os resultados de sexta-feira, quando a equipe brasileira terminou em oitavo, serão contabilizados.
Depois de um acidente grave há três semanas, na Alemanha, os brasileiros tiveram que se apressar para preparar o barco e poderem competir neste fim de semana na etapa de Saint-Tropez.
"Missão cumprida", comemorou na véspera Martine Grael, de 34 anos, líder da equipe, que vive seu primeiro ano no circuito SailGP.
"Estou muito orgulhosa do que conseguimos até o momento. Nosso objetivo é aprender o mais rápido possível para brigar pelas primeiras posições. Ainda não conseguimos, mas a perspectiva é boa", afirmou a velejadora, filha do também bicampeão olímpico Torben Grael.
Campeã olímpica na classe 49erFX nos Jogos do Rio-2016 e em Tóquio-2020), Martine foi contactada para ser a primeira mulher piloto na SailGP, que desde 2019 reúne os melhores velejadores do mundo, como o neozelandês Peter Slingsby e o britânico Dylan Fletcher.
- "Orgulho e responsabilidade" -
"Eu estava muito motivada. As regatas aqui são épicas: é muito intenso, rápido, as situações mudam sem parar. É preciso antecipar sempre o que vai acontecer", conta a brasileira.
Em 2022, o circuito impôs a presença de pelo menos uma mulher em cada tripulação de seis pessoas a bordo dos F50. Mas o papel de piloto, o mais importante, sempre foi exercido por um homem. Até agora.
"Ela foi escolhida porque é a melhor navegante do seu país", afirma Julien di Biase, diretor de operações do SailGP. No mundo da vela, historicamente muito masculino, a novidade está causando impacto.
"Quando estou na corrida, não penso nisso, mas sei também que represento 50% da população mundial. É um motivo de orgulho e uma responsabilidade", ressalta Martine.
Para a velejadora Manon Audinet, integrante da tripulação da equipe da França, "a trajetória de Martine prova que a obrigatoriedade inicial de embarcar uma mulher foi um bom começo".
"No papel, poderia parecer algo pejorativo, mas mostramos que merecíamos nosso lugar a bordo, podemos ganhar experiência e tenho a sensação de que estamos apenas no início da dinâmica", conta Audinet.
Em seu novo regulamento oficial, adotado este ano, os organizadores da próxima Copa América, a regata mais importante e troféu esportivo mais antigo do mundo, estabelecem que as cinco melhores equipes devem incluir pelo menos uma mulher em suas tripulações.
I.Meyer--BTB