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Biden ganha apoio entre congressistas democratas, mas rebelião persiste
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, ganhou o apoio de importantes congressistas democratas nesta terça-feira (9), mas a rebelião interna persiste e o partido ainda não alcançou um consenso sobre manter o presidente de 81 anos como candidato nas eleições de novembro.
O líder da minoria democrata na Câmara dos Representantes, Hakeem Jeffries, se encontrou com colegas preocupados que o caos provocado pelo debate com o ex-presidente republicano Donald Trump, no qual Biden perdeu o fio do que estava dizendo várias vezes e parecia confuso, coloque em risco as eleições.
Um congressista, que falou sob condição de anonimato com a imprensa dos Estados Unidos, descreveu a reunião como "intensa". Outro disse que havia um sentimento "quase unânime" de que Biden deveria passar o bastão nesta corrida.
No entanto, na reunião plenária do partido realizada mais tarde, houve indícios de que Biden ganhou terreno. Vários parlamentares declararam sua lealdade ao presidente.
Jerry Nadler, democrata de maior patente no Comitê Judiciário da Câmara, o apoiou, apesar de relatos da imprensa indicarem que ele recentemente sugeriu que o presidente deveria abrir caminho para outro candidato.
"Ele disse que vai continuar [na corrida], ele é nosso candidato e todos vamos apoiá-lo, espero que todos apoiemos", disse a jornalistas.
Biden comprometeu-se a cumprir um segundo mandato completo se for reeleito, afirmou sua porta-voz, Karine Jean-Pierre, nesta terça. Acrescentou que ele recebeu o apoio de grupos de legisladores afro-americanos e hispânicos, bem como de parlamentares da ala progressista como Alexandra Ocasio-Cortez.
"No momento, o presidente Biden é o candidato e apoiamos o candidato democrata que derrotará Donald Trump. É um fato", declarou o congressista Peter Aguilar após a reunião dos democratas da Câmara.
Os senadores democratas, por sua vez, também irão debater a candidatura de Biden nesta terça-feira.
Até agora, a maioria dos democratas tem respaldado publicamente Biden, mas o partido permanece dividido desde o debate, que foi assistido ao vivo por cerca de 51 milhões de americanos.
"Simplesmente ele tem que renunciar", afirmou o democrata Mike Quigley, da Câmara dos Representantes, à CNN.
A crise tem causado agitação no partido quando faltam menos de quatro meses para as eleições.
"Não acho que já estive em um ambiente político mais complicado em minha vida", reconheceu o senador John Hickenlooper em um café da manhã de trabalho para a cúpula da aliança militar Otan.
- "A pura verdade" -
Biden reafirmou na segunda-feira que está determinado a permanecer na corrida e desafiou os democratas insatisfeitos a se candidatarem durante a convenção do partido em agosto.
O presidente mais velho na história dos Estados Unidos afirmou que seu mau desempenho no debate, durante o qual ficou de boca aberta várias vezes, foi devido a uma "má noite" causada por um resfriado e pelo jet lag de viagens internacionais.
A Casa Branca também interveio. Seu médico pessoal afirmou na segunda-feira que Biden foi examinado por um especialista em doença de Parkinson apenas como parte de exames neurológicos de rotina durante seu exame médico anual.
Biden se dirigirá aos líderes da Otan reunidos em Washington às 17h locais (18h de Brasília) em um discurso que será observado de perto tanto nacionalmente quanto pelos aliados internacionais, que temem o retorno do isolacionista Trump.
Até agora, os esforços de Biden não conseguiram convencer o conselho editorial do jornal The New York Times. Em um artigo crítico, o conselho argumentou que os democratas "precisam dizer a ele a pura verdade".
"Eles precisam dizer que seu desafio ameaça dar a vitória ao Sr. Trump. Eles precisam dizer que ele está se ridicularizando e colocando em perigo seu legado", insistiu o editorial do jornal.
Biden está atrás nas pesquisas e a atenção da mídia agora se concentra em suas fraquezas, em vez de em seu rival, Trump, alvo de condenações judiciais e que ainda tem vários processos em aberto.
O próprio republicano, de 78 anos, rompeu dias de silêncio desde o debate, declarando à Fox News na segunda-feira que acredita que Biden resistirá à pressão e permanecerá na corrida.
"Ele tem um ego e não quer desistir", considerou o ex-presidente (2017-2021).
O.Lorenz--BTB