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Começam deliberações no julgamento do senador americano Bob Menéndez
O júri que vai selar o destino do outrora poderoso senador democrata de origem cubana Robert "Bob" Menéndez, 70, começou a deliberar nesta sexta-feira (12), após dois meses de julgamento.
Os doze membros do júri popular, cidadãos anônimos escolhidos por sorteio, terão que decidir por unanimidade se o senador de Nova Jersey colocou "seu poder à venda" entre 2018 e 2023 em troca de milhares de dólares, barras de ouro e um carro de luxo para a sua mulher, como acusa a promotoria.
Durante as alegações finais, que terminaram na última terça-feira, o promotor Paul Monteleoni lembrou ao júri que em 2022, durante busca na casa dos Menéndez em Nova Jersey, foram encontrados envelopes contendo dinheiro escondidos em roupas, armários e um cofre, totalizando 480 mil dólares (R$ 2,6 milhões).
Também havia mais 70 mil dólares (R$ 380,6 mil) em um cofre pertencente à mulher de Menéndez, além de 13 barras de ouro, sendo quatro delas de 1 kg cada. Segundo a promotoria, esses itens foram entregues por três empresários que participaram de um amplo "esquema de corrupção" e que buscavam enriquecer sob a proteção do senador.
Dois desses empresários, Fred Daibes e Wael Hana, estão no banco dos réus ao lado do senador, enquanto um terceiro, José Uribe - que presenteou a mulher de Menéndez com um carro de luxo - concordou em colaborar com a Justiça, após se declarar culpado. Nadine Arslanian, quinta pessoa acusada, não compareceu ao julgamento devido a um câncer de mama.
O senador é alvo de 16 acusações de suborno, fraude, extorsão, obstrução da Justiça, receber pagamentos para atuar como agente do governo egípcio e ajudar um fundo do Catar. Se for condenado, pode pegar 20 anos de prisão.
Além de tentar interceder na Justiça para paralisar processos judiciais contra Daibes e Uribe, o senador é acusado de transmitir "informações sensíveis" e "ajudar secretamente" o governo do Egito nos âmbitos militar e de inteligência. Menéndez também teria ajudado Daibes a investir em um fundo ligado ao Catar.
Senador desde 2006 e membro da Câmara dos Representantes por 14 anos, Menéndez foi um opositor ferrenho da normalização das relações com Cuba, inimigo da Venezuela e da China e firme defensor de Israel.
Y.Bouchard--BTB