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Bombardeios israelenses e disparos de artilharia na Faixa de Gaza
Israel voltou a bombardear a Faixa de Gaza nesta segunda-feira (15) e prossegue com a ofensiva militar contra o movimento islamista palestino Hamas, depois de ataques contra um campo de deslocados e uma escola que deixaram mais de 100 mortos nos últimos dias.
O Hamas, que governa Gaza desde 2007, denunciou os "massacres" cometidos por Israel contra "civis desarmados" em Gaza e anunciou no domingo sua retirada das negociações indiretas para alcançar um cessar-fogo.
A Defesa Civil informou nesta segunda-feira que pelo menos uma pessoa morreu e quatro ficaram feridas em um ataque aéreo israelense contra uma escola onde se refugiavam deslocados no distrito de Al Rimal, na Cidade de Gaza.
Trata-se da sexta escola bombardeada em novo dias no território palestino.
Contactado pela AFP, o Exército israelense não quis se pronunciar.
Ao menos 22 pessoas morreram no domingo em uma escola administrada pela Agência da ONU para os Refugiados da Palestina (UNRWA) nesta localidade, indicou nesta segunda-feira o Ministério da Saúde, que revisou um balanço anterior de 15 falecidos. O centro de ensino abrigava "milhares de deslocados", segundo a Defesa Civil.
Israel afirma que o Hamas e outros grupos utilizam escolas, hospitais e outras infraestruturas públicas com objetivos militares.
O grupo islamista, classificado como organização "terrorista" por Israel, Estados Unidos e União Europeia, nega as acusações.
- Disparos de artilharia -
Testemunhas relataram nesta segunda-feira disparos de artilharia em vários bairros da Cidade de Gaza e em Nuseirat, no centro da Faixa de Gaza.
O Crescente Vermelho Palestino indicou que um bombardeio no campo de Al Maghazi, também no centro, deixou cinco mortos, incluindo três crianças.
No sul do território, testemunhas relataram disparos de helicópteros nos arredores de Rafah e Khan Younis, que também foi alvo de tiros de artilharia.
O Exército anunciou que eliminou na véspera "uma célula terrorista armada com lançadores de foguetes" durante combates em Rafah. Também afirmou ter eliminado "numerosos terroristas" no centro do território.
Bombardeios israelenses mataram no sábado 92 palestinos no campo de deslocados de Al Mawasi, perto de Khan Younis no sul de Gaza, segundo o Hamas. Há vários meses, Israel havia declarado o setor como uma "zona humanitária" onde os deslocados podiam se refugiar.
Israel indicou que o ataque visou dois altos dirigentes do Hamas, Mohamed Deif, seu chefe militar, e Rafa Salama, um comandante do grupo em Khan Younis, apresentados como "os dois cérebros do massacre de 7 de outubro" que desencadeou a guerra.
O Exército anunciou que Salama morreu no bombardeio. Deif, por outro lado, está vivo, indicou um alto comandante do Hamas.
O conflito eclodiu quando comandos islamistas mataram em outubro 1.195 pessoas, em sua maioria civis, e sequestraram 251 no sul de Israel, segundo um levantamento baseado em dados oficiais israelenses.
O Exército israelense estima que 116 pessoas permanecem cativas em Gaza, 42 das quais teriam morrido.
Em resposta, Israel lançou uma ofensiva que já matou 38.664 pessoas em Gaza, também em sua maioria civis, segundo o Ministério da Saúde do governo do Hamas.
Negociações em pausa -
Após meses de negociações infrutíferas, o grupo islamista anunciou no domingo que se retirou das conversações para uma trégua, mediadas pelo Catar, Egito e Estados Unidos.
No entanto, o movimento "está disposto a retomar as negociações" quando Israel "mostrar seriedade para concluir um acordo de cessar-fogo" e a libertação dos reféns em Gaza em troca de presos palestinos encarcerados em Israel, indicou um dirigente do Hamas.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, sempre afirmou que continuará com a guerra até destruir o Hamas e conseguir a libertação de todos os reféns.
O chanceler britânico, David Lammy, voltou a pedir nesta segunda-feira um "cessar-fogo" durante sua primeira viagem ao Oriente Médio desde sua nomeação após as eleições britânicas de 4 de julho.
"Espero que em breve possamos conseguir um cessar-fogo e que possamos mitigar o sofrimento e as intoleráveis perdas de vidas humanas que estamos vendo atualmente em Gaza", declarou Lammy em Jerusalém, durante um encontro com o presidente israelense, Isaac Herzog.
Por outro lado, figuras do alto escalão do Hamas e do grupo palestino Fatah concordaram em se reunir este mês em Pequim em uma nova tentativa de reconciliação, segundo fontes oficiais.
Os dois grupos são rivais acirrados desde que os combatentes do Hamas expulsaram o Fatah da Faixa de Gaza, após os mortíferos confrontos que se seguiram à retumbante vitória do Hamas em eleições realizadas em 2006.
M.Ouellet--BTB