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Clamor internacional contra proposta de Trump de 'assumir controle' de Gaza e transferir palestinos
Países do Oriente Médio, a ONU e os palestinos rejeitaram de maneira categórica nesta quarta-feira (5) a ideia do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de "assumir o controle" da Faixa de Gaza e transferir seus habitantes.
Trump anunciou a proposta na terça-feira, durante uma entrevista coletiva em Washington ao lado do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que foi recebido na Casa Branca.
Sem anunciar datas ou detalhes de como seria o controle do território ou a transferência de seus mais de dois milhões de habitantes, Trump afirmou que eliminará as bombas não detonadas e os escombros para transformar Gaza em um lugar "incrível".
"Os Estados Unidos assumirão o controle da Faixa de Gaza e também faremos um bom trabalho" nela, declarou o presidente americano, que afirmou ter o apoio do Oriente Médio, embora tanto o Egito quanto a Jordânia tenham rejeitado a ideia.
Trump sugeriu uma "propriedade a longo prazo" dos Estados Unidos e disse que transformará o território na "Riviera do Oriente Médio".
Netanyahu disse que a proposta do republicano poderia "mudar a história" e que vale a pena "prestar atenção". O governante israelense conta, entre seus aliados, com forças políticas que sonham em reinstaurar colônias judaicas na Faixa de Gaza, de onde Israel se retirou unilateralmente em 2005 por decisão do então primeiro-ministro Ariel Sharon.
O Hamas, que governa o território desde 2007, rejeitou a proposta, que chamou de "racista".
"A posição racista americana está alinhada com a da extrema direita israelense e consiste em deslocar o nosso povo e erradicar a nossa causa", afirmou em um comunicado um porta-voz do Hamas, Abdel Latif al Qanu.
O grupo palestino também afirmou em um comunicado que esta é uma proposta "agressiva para o nosso povo e a nossa causa, não servirá para a estabilidade na região e apenas jogará mais lenha na fogueira".
Após uma guerra de 15 meses desencadeada pelo ataque de Hamas em outubro de 2023 em território israelense, grande parte da Faixa de Gaza está devastada. Um cessar-fogo, que entrou em vigor no mês passado, permitiu a troca de reféns israelenses por prisioneiros palestinos.
- Rejeição no Oriente Médio -
O presidente palestino, Mahmud Abbas, que desembarcou nesta quarta-feira na Jordânia para uma reunião com o rei Abdullah II, também rejeitou a proposta.
"O presidente Mahmud Abbas e os líderes palestinos expressaram sua forte rejeição aos apelos para tomar a Faixa de Gaza e deslocar os palestinos para fora de sua terra natal", afirma um comunicado oficial.
Em Genebra, o Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, lembrou que qualquer transferência forçada ou deportação de um território ocupado está "estritamente proibida" pelo direito internacional.
Os palestinos de Gaza também criticaram a ideia.
"Trump pensa que Gaza é um monte de lixo e não é, de jeito nenhum", disse Hatem Azzam, 34 anos, que mora na cidade de Rafah, no sul da Faixa.
Para os palestinos, qualquer tentativa de obrigá-los a sair de Gaza evoca o trauma da Nakba ("catástrofe" em árabe), o deslocamento em massa e a expulsão de centenas de milhares de palestinos de suas casas durante a criação do Estado de Israel em 1948.
Trump foi vago sobre como os Estados Unidos "tomarão o controle" do território, mas não descartou a presença de militares "se for necessário".
O Egito rejeitou a proposta e ministro das Relações Exteriores do país, Badr Abdelatty, pediu uma reconstrução rápida de Gaza, "sem que os palestinos abandonem a Faixa".
Jordânia e Catar - país mediador da trégua em Gaza - também se mostraram contrários. O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan, disse que deslocar os palestinos é algo que "nem nós, nem a região podemos aceitar".
A China também criticou a proposta. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lin Jian, disse que "o governo palestino para os palestinos é o princípio básico do governo de Gaza no pós-guerra" e se opôs à "transferência forçada" de seus habitantes.
A França afirmou que o futuro de Gaza passa por "um futuro Estado palestino" e não pelo controle de "um terceiro país".
A guerra em Gaza começou com o ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, que deixou 1.210 mortos, a maioria civis, segundo uma contagem da AFP baseada em dados oficiais israelenses.
A resposta em retaliação de Israel deixou pelo menos 47.518 mortos em Gaza, majoritariamente civis, segundo o Ministério da Saúde do território governado pelo Hamas.
burs-ser/kir/pc/avl/fp/aa/yr
B.Shevchenko--BTB