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Irã examina proposta mais recente dos Estados Unidos para acabar com a guerra
O Irã examina, nesta quinta-feira (7), a proposta mais recente de acordo dos Estados Unidos para acabar com a guerra no Oriente Médio e reabrir o Estreito de Ormuz, fundamental para o comércio mundial de hidrocarbonetos.
Na Ásia, as Bolsas dispararam depois que o presidente americano, Donald Trump, afirmou mais uma vez que um acordo pode ser iminente. O Irã respondeu que está analisando a proposta e que transmitirá sua resposta ao Paquistão, que atua como mediador.
Um acordo para prolongar o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, em vigor desde 8 de abril, também poderia reduzir as tensões no Líbano, onde a frágil trégua com Israel continua sob pressão após um novo ataque no sul de Beirute, que matou um comandante do Hezbollah.
A guerra, desencadeada pelo ataque de 28 de fevereiro de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã, provocou ações de retaliação do Irã em vários países da região e o bloqueio do Estreito de Ormuz, uma rota comercial estratégica por onde passavam 20% do petróleo e do gás liquefeito consumidos no planeta antes da guerra.
Na segunda-feira, por ordem de Trump, as forças americanas iniciaram uma operação para escoltar os navios mercantes bloqueados e forçar a abertura do estreito, mas a iniciativa foi interrompida poucas horas depois, quando o presidente americano citou avanços nas negociações com o Irã.
"Tivemos conversas muito boas nas últimas 24 horas, e é muito possível que consigamos um acordo", disse Trump na quarta-feira, antes de ameaçar, como já fez outras vezes, retomar os bombardeios contra o Irã caso o país se recuse a aceitar suas condições.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, respondeu que a proposta americana está "em estudo" e que Teerã comunicará "seus pontos de vista" ao Paquistão.
Em Teerã, uma moradora entrevistada a partir de Paris pela AFP considera "aterrorizante" a perspectiva de um acordo com o atual governo iraniano.
"Passamos por tanto sofrimento, e sem conquistas para o povo?", disse Azadeh, uma tradutora de 43 anos. "Sinceramente, só espero que acabem com este regime".
No início do ano, o Irã foi cenário de grandes protestos contra o governo, cuja repressão deixou milhares de mortos, segundo organizações de defesa dos direitos humanos.
- Mudança de rumo -
Segundo a rede americana NBC News, a mudança de rumo de Trump aconteceu depois que a Arábia Saudita — cujo príncipe-herdeiro, Mohammed bin Salman, teria conversado diretamente com ele — se recusou a permitir que as forças americanas utilizassem seu espaço aéreo do país e suas bases para a operação de forçar a passagem por Ormuz.
O portal americano Axios, que citou dois funcionários como fontes, informou que Teerã e Washington estão próximos de um acordo sobre um memorando de entendimento de uma página para encerrar a guerra e estabelecer um marco de negociação sobre o programa nuclear iraniano.
Diante da expectativa de um acordo, os preços do petróleo voltaram a cair e eram negociados abaixo dos 100 dólares por barril nesta quinta-feira. Um valor distante das máximas registradas no auge do conflito, quase 126 dólares, mas muito acima dos 70 dólares registrados antes do conflito.
Os mercados estão particularmente preocupados com a situação em Ormuz, onde, na segunda-feira, o navio sul-coreano HMM Namu sofreu um incêndio quando tentava atravessar o estreito, apesar do bloqueio imposto pelo Irã.
Trump afirmou que o Irã "atacou" o navio, mas a embaixada iraniana em Seul "rejeitou de modo veemente" as acusações.
No Líbano, a outra grande frente de batalha do conflito, Israel atacou na quarta-feira os subúrbios do sul de Beirute, o primeiro ataque do tipo em quase um mês, e matou um comandante de alto escalão da Radwan, a força de elite do Hezbollah, informou à AFP uma fonte próxima ao grupo apoiado pelo Irã.
Ao menos 11 pessoas morreram em ataques no sul e no leste do país, segundo o Ministério da Saúde libanês.
O Exército israelense anunciou que quatro soldados ficaram feridos, um deles em estado grave, devido ao "impacto de um drone explosivo" no sul do Líbano.
burs/dc/pc/avl/fp/aa
L.Dubois--BTB