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Trump viaja à China para reunião com Xi, com Irã como pano de fundo
Donald Trump partiu rumo a Pequim nesta terça-feira (12) para se reunir com seu par chinês, Xi Jinping, assegurando que sua visita será frutífera apesar das possíveis fricções por Taiwan e pelo conflito no Oriente Médio.
O republicano não quer que a guerra contra o Irã, país aliado da China, arruíne a recepção grandiosa que Xi lhe oferecerá na quinta e na sexta-feira.
"Teremos uma longa conversa sobre isso", disse Trump nesta terça-feira aos jornalistas que acompanharam sua partida da Casa Branca.
Trump, envolvido em um conflito muito mais longo e complexo do que previa, assegurou, no entanto, que não precisa da ajuda chinesa em relação ao Irã.
Espera-se que o presidente chegue ao território chinês nesta quarta-feira.
- "Coisas boas" -
Ao considerar que a China não havia causado "problemas" diante do bloqueio imposto pelos Estados Unidos aos portos iranianos, Trump declarou sobre seu par chinês que "é alguém com quem nos damos bem".
"Acho que ele verá que coisas boas vão acontecer", acrescentou o presidente americano sobre sua visita.
Trata-se da primeira visita à China de um presidente dos Estados Unidos desde a que ele próprio realizou em 2017.
Por trás do otimismo de Trump, as duas principais potências mundiais continuam travando uma competição feroz nos campos militar, diplomático, tecnológico e econômico.
"A cúpula parecerá cordial na superfície, mas, no plano tático, será uma partida de rúgbi em que cada parte vai querer levar vantagem", explicou Melanie Hart, especialista em China do Atlantic Council.
As vendas de armas dos Estados Unidos para Taiwan, o controle das exportações de terras raras por parte da China e as tarifas alfandegárias são outros tantos temas de atrito.
- Tesla, Apple e Boeing -
As relações econômicas entre Pequim e Washington continuam tensas, apesar da trégua comercial de um ano concluída durante a última reunião dos dois presidentes na Coreia do Sul, em outubro.
Diante da China, que registra um importante superávit comercial com os Estados Unidos, o presidente americano espera conseguir grandes contratos e promessas de investimento.
O presidente estará acompanhado por uma importante delegação de dirigentes de empresas americanas, entre eles Elon Musk (Tesla), Tim Cook (Apple) e Kelly Ortberg (Boeing).
A cúpula ocorre em um momento difícil para Donald Trump, que enfrenta pesquisas desastrosas e uma retomada da inflação nos Estados Unidos, alimentada pela guerra contra o Irã.
O encontro também é organizado em um momento incerto para a economia chinesa, confrontada com um consumo interno fraco e uma persistente crise de dívida no setor imobiliário.
- Vendas de armas para Taiwan -
A guerra contra o Irã, desencadeada pelos Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro, levou Donald Trump a adiar sua viagem.
Esse conflito, e o bloqueio do Estreito de Ormuz por parte do Irã, complicam ainda mais a relação entre Washington e Pequim.
O presidente americano tem tentado pôr fim às compras de petróleo iraniano por parte da China por meio de diversas sanções, condenadas por Pequim.
Outro importante motivo de discórdia para os dirigentes chineses é a assistência militar fornecida a Taiwan pelos Estados Unidos.
Trump se mostrou disposto a abordar esse tema espinhoso com Xi Jinping.
A China considera Taiwan como uma de suas províncias. Defende uma solução pacífica, mas se reserva o direito de recorrer à força com vistas à "reunificação".
O.Lorenz--BTB