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Biden retoma campanha sob pressão cada vez maior
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, retoma a campanha neste domingo (7), desesperado para salvar sua candidatura à reeleição, enquanto líderes democratas de alto escalão se reúnem para discutir os apelos cada vez maiores para que ele abandone a corrida pela Casa Branca.
O mandatário de 81 anos inicia uma semana exaustiva com dois comícios no estado da Pensilvânia, antes de sediar uma cúpula de líderes da Otan em Washington.
Biden enfrentará um olhar cada vez mais implacável, à medida que cresce a pressão para que ele renuncie após sua desastrosa participação no debate contra Donald Trump no fim do mês passado, que causou pânico sobre sua idade e aptidão para mais quatro anos na presidência.
O democrata tem se mantido desafiador, declarando inequivocamente (em comícios, para jornalistas e nas redes sociais) que está apto para o cargo, insistindo que é o único capaz de derrotar o rival republicano.
"Venci Trump em 2020. Vou vencê-lo novamente em 2024", postou a conta da campanha de Biden nas redes sociais no sábado.
Mas uma entrevista televisionada à ABC News e transmitida na sexta-feira não conseguiu acalmar as preocupações.
Seu próximo grande teste diante da opinião pública será uma coletiva de imprensa prevista para quinta-feira, durante a cúpula da Otan.
Até agora, cinco congressistas democratas pediram a Biden que se retire, em uma tendência cada vez maior.
O líder da minoria na Câmara dos Representantes, Hakeem Jeffries, organiza uma reunião virtual de importantes deputados democratas neste domingo para discutir o melhor caminho a seguir e, segundo relatos, Mark Warner está trabalhando para convocar um fórum semelhante no Senado.
A primeira-dama Jill Biden, que, segundo alguns relatos da mídia americana, está incentivando seu marido a continuar na corrida, planeja fazer campanha na Geórgia, Flórida e Carolina do Norte na segunda-feira.
No entanto, após os comícios deste domingo na Filadélfia e em Harrisburg, o presidente precisará se afastar da campanha para participar da cúpula da Otan, que começa na terça-feira.
Durante o encontro, Biden também terá que tranquilizar seus aliados, no momento em que muitos países europeus temem uma vitória de Trump em novembro.
O republicano de 78 anos critica há muito tempo a Otan como um fardo injusto para os Estados Unidos, elogiou o presidente russo Vladimir Putin e insistiu que poderia encerrar rapidamente a guerra na Ucrânia, invadida por Moscou em fevereiro de 2022.
- "Senhor Todo-Poderoso" -
Até agora, os pesos pesados democratas têm mantido sob controle qualquer descontentamento latente com seu líder, pelo menos em público.
Mas faltando apenas quatro meses para o dia das eleições, qualquer movimento para substituir Biden como candidato deverá ocorrer mais cedo ou mais tarde.
Enquanto isso, para o presidente e sua equipe de campanha, a estratégia parece ser aguentar a situação.
A campanha apresentou um plano intenso para julho, incluindo uma enxurrada de anúncios televisivos e viagens a todos os estados-chave.
A agenda inclui uma visita ao sudoeste do país durante a convenção republicana de 15 a 18 de julho, onde Trump será oficialmente indicado como o candidato presidencial do partido.
Na entrevista anunciada como decisiva com a ABC News na sexta, Biden descartou categoricamente sua queda nas pesquisas e as preocupações sobre sua aptidão física e mental provocadas por sua sombria performance no debate com Trump em 27 de junho.
O presidente atribuiu seu mau desempenho a um resfriado persistente e insistiu que foi apenas "uma noite ruim".
No entanto, seus críticos afirmam que, quando não está lendo teleprompters, Biden demonstra dificuldades para se comunicar.
Algumas de suas respostas foram hesitantes, vagas e difíceis de compreender, mesmo quando tentou de esquivar das perguntas sobre sua agudeza mental e descartou a ideia de seu partido considerar substituí-lo.
"Se o Senhor Todo-Poderoso descesse e dissesse 'Joe, desista da corrida', eu desistiria da corrida, mas Ele não vai descer", declarou.
D.Schneider--BTB