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Ataques coordenados no Mali, onde o exército enfrenta 'grupos terroristas'
O exército do Mali e "grupos terroristas", que realizaram vários ataques coordenados, se enfrentaram, neste sábado (25), na periferia da capital, Bamako, e em outras cidades, informaram as forças armadas deste país da África Ocidental.
Mali é governado por uma junta militar que chegou ao poder por meio de golpes de Estado em 2020 e 2021. Há mais de dez anos, a situação do país é abalada por um conflito e pela ação violenta de vários grupos jihadistas.
"Grupos armados terroristas, ainda não identificados, atacaram, nesta manhã, (...) alguns pontos e quartéis da capital e do interior" do Mali, afirmou o exército do país em um comunicado.
"Nossas forças de defesa e de segurança estão trabalhando para aniquilar os agressores", acrescentou.
Em outro comunicado, o exército indicou, mais tarde, que "a situação está sob controle", apesar de ainda haver disparos, e que "vários terroristas foram neutralizados e [seus] equipamentos destruídos".
Por volta de meio-dia, helicópteros do exército, que realizaram uma série de bombardeios, sobrevoavam Bamako e os arredores do aeroporto, observou um jornalista da AFP.
- Os tuareg afirmam que tomaram Kidal -
No terreno, jihadistas e a rebeliã da Frente de Libertação de Azawad (FLA) lutaram juntos contra o exército neste sábado.
Os rebeldes tuareg da FLA reivindicaram, neste sábado, que haviam tomado o controle da cidade de Kidal, no norte, uma localidade que havia sido um bastião-chave de sua rebelião e que, até agora, estava ocupada pelo exército de Mali e por militares russos.
"A cidade de Kidal passou para o controle de nossas forças armadas", escreveu a FLA em uma mensagem no Facebook.
"Nossas tropas da FLA controlam Kidal, a maior parte de Kidal. O governador de Kidal se refugiou com seus homens no antigo campo da Minusma", a missão da ONU que parou de funcionar em 2023, declarou um porta-voz da FLA, Mohamed Elmaouloud, à AFP.
No entanto, a AFP não pôde verificar esta reivindicação com fontes independentes até o momento.
Neste sábado também foram ouvidos tiros em Kati, uma cidade próxima a Bamako que abriga a residência do chefe da junta, o general Assimi Goita, disseram várias testemunhas, uma fonte dos serviços de segurança e um funcionário.
- "Grande ofensiva coordenada" -
Nas redes sociais, moradores de Kati e da região do aeroporto publicaram fotos de suas casas destruídas pelas explosões.
Além de Bamako e Kati, também foram ouvidos disparos, na manhã deste sábado, em Gao, a maior cidade do norte de Mali, e em Sevaré, cerca de 600 quilômetros a nordeste da capital, indicaram testemunhas.
A embaixada dos Estados Unidos em Bamako e a ONU instaram seus funcionários a evitar qualquer deslocamento, salvo em caso de necessidade, e a permanecer em casa.
"Estamos enfrentando uma grande ofensiva coordenada em todo o país, em um nível inédito desde 2012, quando o governo perdeu metade do território", disse Charlie Werb, analista da consultoria Aldebaran Threat Consultants (ATC), à AFP. Segundo ele, houve "graves falhas de segurança em Bamako".
O país enfrenta, desde 2012, uma profunda crise de segurança, provocada sobretudo pela violência de grupos jihadistas afiliados à Al-Qaeda e à organização Estado Islâmico (EI), assim como grupos criminosos independentes.
lar-bdi-sd-mk-str-lp-mrb/cn/jvb/ahg/rm/aa
M.Odermatt--BTB