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Trump afirma que cessar-fogo prossegue apesar dos novos confrontos com o Irã
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o cessar-fogo com o Irã permanece em vigor, apesar do ataque iraniano de quinta-feira contra três navios militares americanos no Estreito de Ormuz, que ele chamou de "insignificante".
Pouco antes, Washington anunciou um ataque contra "instalações militares iranianas" em represália à agressão contra seus navios em Ormuz, uma via crucial para o trânsito de combustíveis bloqueada por Teerã desde o início da guerra em 28 de fevereiro.
O Irã, por sua vez, acusou as forças militares dos Estados Unidos de terem iniciado a troca de disparos e de violação do cessar-fogo.
Os novos confrontos enfraquecem ainda mais a trégua em vigor desde 8 de abril, ou seja, há quase um mês, no momento em que a Casa Branca continua aguardando uma resposta da República Islâmica à sua proposta mais recente para encerrar o conflito de forma duradoura.
Na manhã desta sexta-feira (8), a defesa aérea dos Emirados Árabes Unidos foi acionada para interceptar drones e mísseis lançados a partir do Irã, denunciou seu Ministério da Defesa.
Teerã não reagiu de maneira imediata à acusação. No início desta semana, o governo iraniano desmentiu "categoricamente" qualquer participação nos ataques dos últimos dias denunciados por este país do Golfo.
Na noite de quinta-feira, Trump exortou o Irã a assinar um acordo "rápido", em uma mensagem publicada em sua rede Truth Social, sob pena de ser atacado de "forma mais dura e com muito mais violência no futuro".
O Centcom, o comando militar americano responsável pelas operações no Oriente Médio, informou na rede social X que as forças iranianas lançaram "vários mísseis, drones e pequenas embarcações" contra seus três navios de guerra, mas nenhum foi atingido.
A nota acrescenta que as forças americanas eliminaram "as ameaças em aproximação" e atacaram "as instalações militares iranianas responsáveis".
- "Cessar-fogo a longo prazo" -
O comando militar central do Irã acusou os Estados Unidos de violação do cessar-fogo ao atacar um petroleiro e outro navio. Segundo um comunicado, as forças de Teerã responderam "imediatamente e em represália contra os navios militares americanos".
A televisão iraniana relatou explosões em um porto da ilha de Qeshm, no Estreito de Ormuz. Teerã bloqueia esta passagem estratégica para o comércio mundial de hidrocarbonetos desde o início da guerra, em 28 de fevereiro.
O conflito provocou milhares de mortes, em particular no Irã e no Líbano, e abalou a economia mundial.
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, cujo país atua como mediador, expressou otimismo antes dos confrontos de quinta-feira: "Acredito de modo veemente que este cessar-fogo se tornará um cessar-fogo de longo prazo".
Sem avanços nas negociações, os preços do petróleo registraram queda moderada na quinta-feira e subiam na manhã de sexta-feira. O barril de Brent, referência mundial, era negociado acima de 101 dólares.
- Navios bloqueados em Ormuz -
Trump havia considerado na quarta-feira "muito possível" um acordo de paz com a República Islâmica ao mencionar "negociações muito boas nas últimas 24 horas". Ao mesmo tempo, no entanto, ele voltou a mencionar a ameaça de retomar os bombardeios diante da situação em Ormuz.
Quase 1.500 navios e suas tripulações, com aproximadamente 20.000 membros no total, permanecem "bloqueados" no Golfo devido ao bloqueio do Irã em Ormuz, informou, no Panamá, o secretário-geral da Organização Marítima Internacional (OMI), Arsenio Domínguez.
Trump lançou, na segunda-feira, uma operação naval para escoltar navios comerciais bloqueados e forçar a abertura do estreito, mas a interrompeu horas depois, alegando avanços nas negociações com o Irã.
Mas no Irã, muitos são céticos sobre os diálogos.
"Nenhum lado nestas negociações é realmente capaz de alcançar um acordo", declarou a jornalistas da AFP em Paris Shervin, um fotógrafo de 42 anos.
"Este é outro dos jogos de Trump; se não, por que estão enviando tantos navios de guerra e forças militares para o Irã?", acrescentou.
- Negociações no Líbano -
Qualquer acordo entre Estados Unidos e Irã também poderia ajudar a reduzir as tensões no Líbano, onde uma trégua separada está sob risco depois de um ataque israelense no sul de Beirute que matou um comandante do grupo pró-iraniano Hezbollah.
Um funcionário do Departamento de Estado americano, que pediu anonimato, indicou que uma nova rodada de negociações entre Israel e Líbano acontecerá em 14 e 15 de maio.
O Líbano foi arrastado para o conflito no Oriente Médio quando o Hezbollah, movimento apoiado por Teerã, lançou foguetes contra Israel em retaliação pela morte do guia supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, nos bombardeios israelense-americanos.
Apesar de uma trégua que, em tese, permanece em vigor, o Ministério da Saúde libanês informou que pelo menos 12 pessoas morreram em uma série de ataques aéreos israelenses na quinta-feira.
burx-tq-es/cyb/pno/llb/arm/cr/pb/fp
C.Kovalenko--BTB