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Luto nacional em Portugal após acidente que deixou 16 mortos em Lisboa
Portugal respeita, nesta quinta-feira (4), um dia de luto nacional após o descarrilamento do Elevador da Glória, um bondinho emblemático de Lisboa, que deixou pelos menos 16 mortos em um dos bairros mais turísticos da capital.
O acidente aconteceu na tarde de quarta-feira (3) perto da Avenida da Liberdade. O famoso bondinho, que liga a Praça do Rossio ao Bairro Alto, saiu dos trilhos e colidiu com um edifício.
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, reduziu nesta quinta-feira à tarde o balanço para 16 mortos e cinco pessoas gravemente feridas.
Algumas horas antes, o serviço de Proteção Civil havia anunciado 17 óbitos, mas admitiu que cometeu um erro ao declarar que duas vítimas hospitalizadas haviam falecido durante a noite, quando na realidade apenas uma morreu nas últimas horas.
Os serviços de emergência informaram que 20 pessoas ficaram feridas, 11 delas estrangeiras: dois espanhóis, dois alemães, uma francesa, um italiano, um suíço, um canadense, um coreano, um marroquino e um cabo-verdiano.
A Justiça portuguesa anunciou a abertura de uma investigação para determinar as causas do acidente.
Vários meios de comunicação citaram o possível rompimento de um cabo de segurança e questionaram a qualidade dos controles de manutenção, realizados por uma empresa terceirizada contratada pela operadora do sistema de transportes.
As autoridades não revelaram, até o momento, as nacionalidades das vítimas fatais.
Imagens divulgadas nas redes sociais mostravam, em meio a uma nuvem de fumaça, o vagão completamente destruído contra um muro, depois de aparentemente não ter feito a curva no final da rua pela qual transitava.
Diante da tragédia, o governo português decretou um dia de luto nacional para esta quinta-feira em homenagem aos falecidos no acidente, no qual o vagão, destruído, ficou tombado contra um muro na ladeira íngreme encosta pela qual circulava diariamente.
Os serviços de emergência informaram que os outros três bondinhos da capital foram paralisados para verificações de segurança.
Uma testemunha do acidente declarou ao canal SIC que viu o veículo descer "a toda velocidade". "Bateu contra um edifício com uma força brutal e desmanchou como uma caixa de papelão, não tinha freios", contou a mulher.
O prefeito de Lisboa, Carlos Moedas, chamou o descarrilamento de "uma tragédia que nunca havia ocorrido em nossa cidade".
O gabinete do primeiro-ministro Montenegro afirmou que os fatos "causaram dor às famílias e consternação ao país". A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, expressou condolências às famílias.
- Protocolos de manutenção -
O veículo, com capacidade para 40 passageiros, é um meio de transporte muito apreciado pelos turistas que visitam a capital portuguesa.
A empresa que opera o transporte público de Lisboa afirmou que cumpriu "todos os protocolos de manutenção".
"Tudo foi escrupulosamente respeitado", declarou Pedro Bogas, diretor da Lisboa Carris, no local do acidente. Ele disse que uma empresa externa faz a manutenção dos bondinhos há 14 anos.
A revisão geral acontece a cada quatro anos e a última ocorreu em 2022, segundo a Carris. A manutenção intermediária acontece a cada dois anos e foi concluída em 2024.
Turistas e moradores utilizam os bondinhos de Lisboa para subir e descer as ladeiras da capital.
O vagão amarelo de formato quadrado é considerado um ícone da cidade e é uma imagem comum nos souvenirs das lojas de presentes de Lisboa.
Segundo o site dos Monumentos Nacionais, o Elevador da Glória foi construído pelo engenheiro franco-português Raoul Mesnier du Ponsard e inaugurado em 1885. A partir de 1915, passou a ser movido por eletricidade.
F.Pavlenko--BTB