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Destituição de ministro da Defesa divide comando militar da Ucrânia
O destituído ministro da Defesa da Ucrânia criticou publicamente o comandante-chefe do Exército nesta quinta-feira (16), o que obrigou o presidente Volodimir Zelensky a pedir unidade diante dos sinais de divisão no comando militar.
Além disso, várias manifestações eclodiram em diversas cidades contra a destituição do popular Mikhailo Fedorov, como parte de uma remodelação governamental imposta por Zelensky.
Fedorov, de 35 anos, foi nomeado há seis meses para modernizar um Exército exausto após mais de quatro anos de guerra contra a Rússia.
Ele se considera um reformista que incorporou novas tecnologias, como os drones, para compensar a falta de soldados, dinheiro e munições.
O mesmo confirmou nesta quinta-feira que suas desavenças com o comandante-chefe das Forças Armadas, Oleksandr Syrsky, haviam motivado sua saída.
Syrsky tem 60 anos e está no cargo desde 2024. Ele é acusado de ter uma visão mais conservadora das Forças Armadas e menos consideração pela vida dos soldados.
- "Dividir o país" -
Com uma camiseta preta diante de uma tela que mostrava imagens de drones, Fedorov declarou aos jornalistas que Syrsky "bloqueou" suas iniciativas.
"Em vez de descobrir como derrotar a Rússia de maneira assimétrica, que é a tarefa do comandante-chefe, ele encontrou a forma de dividir o país", disse Fedorov aos jornalistas. Reconheceu, no entanto, que contribuiu para "salvar" a Ucrânia durante "muitas operações" no começo da invasão russa em 2022.
Ihor Klymenko, o ministro do Interior em fim de mandato, aparece como possível substituto de Fedorov, mas não tem garantida a maioria dos votos dos deputados.
Diante destas tensões, Zelensky pediu nesta quinta-feira que "a unidade" seja preservada dentro do comando militar e lamentou que Fedorov e Syrsky não a tenham "encontrado".
A saída de Fedorov provoca inquietação sobre o futuro das tropas ucranianas, que conseguiram nos últimos meses frear o avanço russo e desencadear uma crise de combustível no país vizinho graças ao bombardeio de instalações petrolíferas e militares.
Em um comentário incomum da cúpula militar, o comandante das forças conjuntas ucranianas, Mikhailo Drapati, elogiou Fedorov e pediu que ele continue a transformação que iniciou "até que regras justas e claras se tornem a norma".
Syrsky agradeceu o ministro que está deixando o cargo por "seu trabalho" e pediu para "se concentrar na guerra".
- Manifestações -
Em Kiev, mais de mil pessoas se reuniram em uma praça central com bandeiras ucranianas e europeias para gritar "vergonha" e pedir a volta de Fedorov, constataram jornalistas da AFP.
Segundo os meios de comunicação ucranianos, houve protestos similares em outras grandes cidades como Odessa (sul), Kharkov (noroeste), Dnipro (centro-oeste) e Lviv (oeste).
O presidente ucraniano confiou, em janeiro, ao jovem ministro a tarefa de injetar uma nova energia na máquina de guerra de Kiev.
Mas Fedorov "entrou em conflito com vários generais e com diversos fornecedores de drones", afirmou o analista político Anatoly Oktissyuk, que considera que ele empreendeu "várias reformas úteis que ameaçavam certos interesses", à AFP.
Segundo ele, o presidente ficou "politicamente debilitado" com esta situação.
"Acho que a destituição é uma afronta ao povo ucraniano", afirma Vlada Roman, uma empresária de 30 anos que espera que a mobilização permita "manter Fedorov" em seu cargo, em Kiev.
- Medo na linha de frente -
Um militar ucraniano na linha de frente declarou à AFP sob anonimato que não entende a destituição nem vê nada que a justifique.
Como muitos, agradeço que tenha permitido limitar consideravelmente o uso dos terminais Starlink por parte do Exército russo, que se tornaram um meio de comunicação fundamental.
O soldado teme que a nova transição tenha consequências negativas no terreno e se pergunta "se o drone necessário chegará a tempo, se o material requisitado será comprado, se a reforma que busca substituir os humanos por máquinas continuará".
A destituição de Fedorov provocou outras saídas: as de Serguiy Sternenko, um conselheiro do ministério de Defesa, e do subcomandante da Força Aérea da Ucrânia, Pavlo Yelizarov.
Não é o primeiro escândalo na Ucrânia. Já houve outros sobre os alistamentos e a forma de conduzir a guerra.
M.Odermatt--BTB