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Trump prepara batalha das legislativas com discurso à nação
O presidente americano, Donald Trump, dirige-se ao país nesta quinta-feira (16) em um discurso televisionado com o qual promete "um grande anúncio", uma tentativa de mobilizar seu eleitorado republicano frente a previsões sombrias.
Eleito duas vezes, em 2016 e 2024, Trump, de 80 anos, não poderá mais disputar a Presidência, e as eleições legislativas de novembro podem representar o começo do fim de seu mandato se os democratas se apoderarem da Câmara de Representantes, como sugerem as pesquisas, e conseguirem, ainda, derrubar a maioria republicana no Senado, que renovará um terço de seus assentos.
As pesquisas mostram que seis em cada dez americanos estão descontentes com sua administração, um número habitual para os inquilinos da Casa Branca após dois anos na cadeira presidencial.
A dúvida é saber se os eleitores de seu movimento MAGA (Make America Great Again, Tornar os EUA grandes de novo) voltarão a se mobilizar nas urnas, como aconteceu em sua vitória histórica há um ano e meio.
Seus eleitores são incondicionalmente fiéis a ele, segundo as pesquisas, mas o eleitor independente e as minorias, como a hispânica, ao contrário, se mostram decepcionados.
Trump admite agora que "se desviou" de seu programa populista e centrado no bem-estar do país ao iniciar a guerra contra o Irã, que impactou o mercado petroleiro e, consequentemente, a inflação (3,5% na comparação anual, segundo dados de junho).
Isso prejudicou sua imagem de gestor econômico eficaz frente ao que qualifica como "desastre" do presidente anterior, o democrata Joe Biden.
Para mobilizar o eleitorado, Trump centrou sua mensagem na limpeza das eleições.
O presidente promete "grandes notícias" a esse respeito a partir das 21h locais (22h de Brasília).
"Na realidade, ninguém sabe o que finalmente o presidente dirá, é por isso que todo mundo deveria ouvi-lo", destacou a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, em declarações à emissora CBS.
- Mudanças nos mapas eleitorais -
Trump pressiona ao máximo sua maioria republicana ainda vigente no Congresso para que aprove de uma forma ou de outra o SAVE America Act, um projeto de lei para endurecer as medidas de identificação para votar nas eleições federais.
Mas os republicanos se mostram divididos sobre a medida, que os democratas apresentam como uma tentativa de dificultar o acesso do eleitor médio às urnas.
Esse projeto demandaria, entre outras medidas, que o cidadão mostre um documento de identidade nacional, como um passaporte, algo do qual uma parte considerável dos americanos carece.
O projeto também restringe a possibilidade de votar pelo correio.
Trump insiste, como já fez sem sucesso após sua derrota eleitoral em 2020, que as eleições legislativas ou presidenciais, organizadas pelos estados, são corruptas, em especial nas circunscrições democratas.
Essa campanha política não parece ecoar no eleitorado, que considera suas preocupações econômicas muito mais importantes.
Os americanos também se dizem muito céticos, ou abertamente hostis, à guerra contra o Irã.
Ao mesmo tempo, no último ano e meio, houve uma avalanche de mudanças nos mapas eleitorais, tanto nos estados tradicionalmente republicanos, como os do sul do país, quanto nos democratas, como a Califórnia.
Estas mudanças foram aprovadas em grande parte pelos tribunais. E agora, o impacto dessa reorganização dos distritos eleitorais é uma incógnita.
"É impossível ter um país sem eleições livres e justas", afirmou Donald Trump na terça-feira, em resposta a uma pergunta sobre o conteúdo que se devia esperar de sua intervenção na noite desta quinta-feira.
D.Schneider--BTB