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Coreia do Sul retoma propaganda com alto-falantes e Norte promete 'resposta'
A Coreia do Sul retomou suas campanhas de propaganda com alto-falantes em direção ao Norte neste domingo (9), depois de Pyongyang lançar mais de 300 balões carregados de lixo, antes de ameaçar com uma "nova resposta".
As relações entre as duas Coreias estão atingindo seus piores níveis, e nas últimas semanas ambos os países se viram envolvidos em uma campanha de lançamento de balões que, segundo analistas, poderiam resultar em confrontos militares reais.
O presidente sul-coreano, Yoon Suk Yeol, suspendeu completamente na terça-feira um acordo militar de distensão assinado com a Coreia do Norte em 2018, depois que Pyongyang enviou centenas de balões carregados com sacos cheios de resíduos, desde pontas de cigarro até excrementos de animais.
Esse pacto, assinado em um período de melhores relações diplomáticas entre os dois países tecnicamente em guerra, tinha como objetivo reduzir as tensões na península e evitar uma escalada militar, especialmente ao longo da fronteira militarizada.
Sua suspensão completa permite a Seul retomar os exercícios de tiros reais e as campanhas de propaganda contra o regime do Norte com os alto-falantes na fronteira, uma técnica que remonta à Guerra da Coreia (1950-1953).
À noite, Kim Yo Jong, a poderosa irmã do líder norte-coreano Kim Jong Un, afirmou que seu regime iria oferecer uma "nova resposta" e alertou para uma "situação muito perigosa", relatou a agência de notícias sul-coreana Yonhap, citando a agência de notícias estatal norte-coreana KCNA.
Kim Yo Jong afirmou que a última campanha de balões deveria terminar neste domingo, mas como a Coreia do Sul retomou sua campanha de propaganda com alto-falantes, "a situação mudou".
"Isto é o prelúdio de uma situação muito perigosa", disse a irmã do líder norte-coreano, garantindo que "se a Coreia do Sul optar pela provocação, com panfletos e alto-falantes, [...] sem dúvida será testemunha de uma nova resposta".
- "Medida correspondente" -
O Estado-Maior Conjunto em Seul indicou neste domingo que “os militares sul-coreanos fizeram uma transmissão em alto-falante durante a tarde”, esclarecendo que a realização de possíveis transmissões adicionais “depende inteiramente das ações da Coreia do Norte”.
O gabinete presidencial já havia anunciado anteriormente esta ação, chamando-a de “medida correspondente” aos mais de 300 balões de lixo que a Coreia do Norte enviou desde sábado.
Estas medidas, embora “possam ser difíceis de suportar para o regime” do líder Kim Jong Un, “transmitirão mensagens de luz e esperança ao Exército e os cidadãos norte-coreanos”, assegurou Seul.
Os militares sul-coreanos afirmaram que a análise dos balões que chegaram no sábado vindos do Norte “indica que não contêm substâncias prejudiciais à segurança”, especificando que continham resíduos de papel e plástico.
- Risco de "conflito armado" -
Seul utiliza grandes alto-falantes em suas campanhas para transmitir propaganda contra o regime norte-coreano ou música K-pop perto da zona desmilitarizada que separa os dois países.
Estas mensagens irritam Pyongyang, que já ameaçou disparar contra os alto-falantes.
“É muito possível que a retomada das mensagens em alto-falantes leve a um conflito armado” e que “a Coreia do Norte retome os seus disparos no mar Amarelo ou atire nos balões se o Sul os lançar novamente”, estima Cheong Seong-chang, diretor de estratégia para a península coreana no Instituto Sejong.
A Coreia do Norte tentou apagar o sinal de GPS durante vários dias no final de maio, embora não tenha conseguido impedir a atividade militar sul-coreana, segundo este especialista.
“É provável que este tipo de provocação apareça de forma muito mais forte no mar Amarelo”, acrescentou.
N.Fournier--BTB