-
Trump prepara batalha das legislativas com discurso à nação
-
UE impõe ao Google novas medidas para abrir o Android à concorrência
-
Reino Unido pede à Fifa investigação sobre faixa evocando as Malvinas na semifinal da Copa
-
Presidente eleito da Colômbia prevê abrir uma embaixada em Jerusalém
-
Por trás das ruínas, o paraíso dos surfistas que sobreviveu aos terremotos na Venezuela
-
EUA anuncia nova tarifa de 25% sobre produtos do Brasil, que promete acionar lei de reciprocidade
-
Copa do Mundo da América do Norte terá sua Finalíssima
-
Starmer é condecorado por Zelensky em sua última visita à Ucrânia como primeiro-ministro
-
Entre ameaças e ataques, guerra entre Irã e EUA se intensifica
-
Burnham pressionado a garantir paridade de gênero em seu futuro governo trabalhista
-
Arturo Pérez-Reverte, o escritor que sempre se lembra das guerras que cobriu
-
Parlamento da Ucrânia aprova Sergiy Koretsky como novo primeiro-ministro
-
Ator Sam Neill morreu vítima de pneumonia, afirma agente
-
EUA e Irã prosseguem com ataques e trégua está cada vez mais distante
-
Estados Unidos anunciam nova tarifa de 25% sobre produtos do Brasil, que promete acionar lei de reciprocidade
-
Messi mostra que ainda tem muito a dizer na Copa do Mundo
-
Keiko Fujimori propõe 'reconciliação' após década de instabilidade política
-
Imprensa argentina destaca vitória em 'duelo histórico' contra Inglaterra
-
Argentinos lotam as ruas após vitória sobre a Inglaterra em semifinal histórica
-
Guerra entre Irã e EUA se intensifica e trânsito de Ormuz fica paralisado
-
Nos pubs de Londres, da euforia à desolação em sete minutos
-
'É uma loucura jogar duas finais de Copa seguidas', diz Messi após vitória da Argentina
-
Jogadores da Argentina comemoram vitória com faixa reivindicando Ilhas Malvinas
-
'Continuem acreditando', pede Giuliano Simeone aos torcedores argentinos
-
'Não me arrependo', diz Tuchel sobre postura da Inglaterra contra Argentina
-
'Jogamos com a faca nos dentes', diz 'Dibu' Martínez após vitória sobre a Inglaterra
-
'Cair nesta fase é devastador', reconhece Kane
-
'Sonhei com isso', diz Lautaro Martínez sobre gol da vitória da Argentina
-
'Este grupo não para de me surpreender', diz Scaloni após vitória sobre a Inglaterra
-
Argentina vence Inglaterra de virada (2-1) e vai enfrentar Espanha na final da Copa do Mundo
-
Número de mortos por terremotos na Venezuela passa de 4.800
-
Anistia Internacional denuncia centenas de mortes em prisões de El Salvador
-
Alcaraz deve voltar às quadras em meados de agosto, em Cincinnati
-
Zelensky apoia diretor da Naftogaz para cargo de primeiro-ministro
-
França aprova direito à morte assistida após anos de debates
-
Republicanos apresentam plano de gastos antes das eleições de novembro nos EUA
-
Fifa defende árbitro da semifinal da Copa após críticas de Deschamps
-
Técnico francês Sébastien Migné deixa Haiti e assume seleção do Gabão
-
CEO do Bayer Leverkusen aponta 'problemas estruturais' após decepção da Alemanha na Copa
-
Trump diz que ICE manterá fiscalizações nas estradas
-
Guerra entre Irã e EUA se intensifica com bombardeios e fechamento de Ormuz
-
Mais que uma seleção, Espanha constrói uma 'equipe' para chegar à final da Copa
-
Mulheres denunciam ex-dirigente de agência de modelos Elite por estupro
Ucranianas estupradas por soldados russos rompem silêncio
Daria foi estuprada repetidamente por soldados russos em 2022, e Alissa, por um oficial russo em 2014. São duas das ucranianas que se atreveram a combater o estigma para que o mundo conheça suas histórias e outras vítimas se encorajem a romper o silêncio.
As palavras de Daria Zymenko, uma ilustradora de 33 anos, impressionaram uma coletiva de imprensa organizada em Paris pela ONG SEMA Ucrânia, que ajuda ucranianas vítimas de estupros por soldados russos.
Cinco mulheres relataram que sofreram torturas e violência sexual pelo Exército russo entre 2014 — quando Moscou anexou a península ucraniana da Crimeia — e 2023, um após a Rússia iniciar a invasão da Ucrânia.
- Pessoas, não "estatísticas" -
Calcular o número exato de estupros é difícil, uma vez que as ONGs "não têm acesso aos territórios ocupados", disse Iryna Dovgan, uma ucraniana de 62 anos de Donetsk, leste do país, que fundou e dirige a SEMA Ucrânia.
Ela também foi estuprada por soldados russos em 2014 e, segundo ela, há "milhares" de casos como o dela.
A Procuradoria-Geral da Ucrânia afirma ter registado 301 incidentes de crimes sexuais "cometidos por ocupantes russos" desde o início da invasão.
A Rússia foi acusada de vários crimes de guerra na Ucrânia, o que nega veementemente.
Em 24 de fevereiro de 2022, início da ofensiva russa contra a Ucrânia nos arredores de Kiev, Daria se refugiou na casa de seus pais em Gavronshchyna. Mas o Exército russo ocupou a cidade.
Pouco depois, soldados "bêbados e armados com fuzis" invadiram a casa da família e exigiram que Daria os acompanhasse "para um interrogatório". "Minha família implorou [...] mas eles apontaram suas armas para nós, dizendo que se eu não fosse com eles, nos matariam".
Em 28 de março, ela foi levada para uma casa abandonada, onde os soldados mandaram que tirasse a roupa. "Lá eu entendi que não era um interrogatório: eles me estupraram durante duas horas".
Quando voltou para a casa dos pais, preferiu "ficar quieta". Um dia depois, os soldados retornaram "para fazer o mesmo". No dia seguinte, o Exército ucraniano "felizmente chegou".
- "Uma vitória" -
Alissa Kovalenko, 36 anos, viajou de Kiev a Paris para contar sua história. É membro da SEMA Ucrânia desde a sua fundação em 2019. Documentarista e vencedora de vários prêmios internacionais, ela acaba de terminar seu filme mais recente sobre vítimas de estupro membros da ONG.
"Ainda hoje, eu diria que 80% das mulheres vítimas de estupro permanecem em silêncio", disse ela à AFP. "Mas os 20% que falam já são uma vitória".
Enquanto trabalhava em um filme na região de Donetsk, em 2014, Alissa, ainda estudante, foi detida por separatistas pró-Rússia.
"Eu estava saindo [da região] de táxi" em 15 de maio de 2014, "e o motorista me denunciou aos separatistas em um posto de controle, dizendo que eu havia encontrado militares ucranianos", disse a documentarista.
"Eles me tiraram do carro e me interrogaram" por várias horas. Ameaçaram cortar suas orelhas e dedos.
Durante três dias, um militar – russo, segundo ela – a manteve presa em um apartamento em Kramatorsk. "Ele me forçou a tirar a roupa, entrar na banheira e depois me estuprou”, contou.
Durante anos, Alissa não conseguiu contar à família, que descobriu seu estupro muito mais tarde.
- "Mancha escura" -
Segundo a SEMA Ucrânia, cada vez mais vítimas rompem o silêncio no país, onde a violência sexual é um tabu.
"As mulheres também concordam em falar porque a agressão russa não acaba [...] e outras mulheres correm o risco de serem atacadas: é o nosso grito e o nosso pedido de ajuda", diz Iryna Dovgan.
Daria afirma que tentou "esquecer a experiência horrível", mas os ataques de ansiedade eram frequentes. Ela recebeu ajuda psicológica através da SEMA e apresentou queixa no exterior, mas preferiu não informar em qual país.
Alissa não teve qualquer tipo de assistência do Estado ucraniano, mas em 2019 conheceu a fundadora da ONG e outras "sobreviventes" de estupros, e então teve consciência "da mancha escura, do trauma que tinha dentro dela". Ela apresentou uma queixa à Procuradoria-Geral da Ucrânia.
"Você não se cura de uma experiência como essa [...] você pode simplesmente se sentir melhor", disse Alissa, que ainda tem pesadelos.
M.Ouellet--BTB