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Oposição de esquerda concorrerá unida em uma 'Frente Popular' na França
A oposição de esquerda na França apresentou, nesta sexta-feira (14), o "programa de governo" e de "ruptura" da Nova Frente Popular, com a qual espera frustrar uma vitória da extrema direita em uma posição de força nas eleições legislativas antecipadas.
A esquerda francesa promete uma "ruptura total com as políticas de Emmanuel Macron" se vencer as eleições, disse o deputado de esquerda Manuel Bompard nesta sexta-feira. "Será a extrema direita ou seremos nós", acrescentou a ambientalista Marine Tondelier.
Socialistas, ambientalistas, comunistas e A França Insubmissa (LFI, esquerda radical) chegaram ao pacto final na noite de quinta-feira para concorrer juntos, com outros pequenos partidos como o Praça Pública, liderado pela nova estrela social-democrata Raphaël Glucksmann.
O novo programa de 100 medidas compromete-se a aumentar o salário mínimo, a revogar as controversas reformas previdenciária e migratória do presidente centrista, denuncia a "guerra de agressão" da Rússia na Ucrânia e os "massacres terroristas" do Hamas em Israel, entre outros.
Tecer um acordo não parecia fácil, principalmente quando a última coalizão nas eleições legislativas de 2022, chamada Nupes, acabou por se desfazer devido a divergências entre os social-democratas e a ala mais radical, liderada pelo líder esquerdista Jean-Luc Mélenchon.
Mas o medo de ver o partido de extrema direita Reagrupamento Nacional (RN) chegar ao poder forçou-os a superar as suas diferenças, apesar da pressão do partido no poder, que criticou o acordo dos social-democratas com o LFI, um partido que Macron descreveu como "antissemita" e "antiparlamentar".
"O único que me importa é que o RN não ganhe as eleições legislativas [de 30 de junho e 7 de julho] e não governe este país", disse Glucksmann à rádio France Inter, descartando também que Mélenchon seja o eventual primeiro-ministro da coalizão, pois este cargo deve ser de uma figura de "consenso".
O ex-presidente socialista François Hollande e a prefeita de Paris, Anne Hidalgo, duas das vozes mais críticas à Nupes, também apoiaram a Nova Frente Popular, na qual os socialistas ganharam mais peso em detrimento do LFI.
A coalizão retomou o nome de outra aliança formada na França em 1936, cuja vitória nas eleições levou o socialista Léon Blum a liderar o governo francês em um contexto de ascensão da Alemanha nazista de Adolf Hitler na Europa.
Cinco sindicatos e várias associações convocaram manifestações neste fim de semana na França contra a extrema direita, nas quais se esperam até 350 mil pessoas e o destacamento de 21 mil policiais e gendarmes, segundo fontes da corporação.
- Direita dividida -
Macron, que continuará como presidente até 2027, desencadeou um terremoto político na França com a inesperada antecipação das eleições legislativas, em uma decisão que pode forçá-lo a compartilhar o poder com um governo de outra ideologia política em uma "coabitação".
A medida atingiu em cheio o partido de direita Os Republicanos (LR), cujos dirigentes expulsaram seu presidente, Eric Ciotti, que havia proposto uma aliança com a extrema direita, mas a exclusão foi suspensa pela justiça nesta sexta-feira.
Uma pesquisa recente da Elabe coloca o RN na liderança com 31% das intenções de voto, seguido pela frente de esquerdas com 28% e a aliança centrista de Macron com 18%, confirmando um reequilíbrio dos três blocos que emergiram das eleições legislativas de 2022.
O jovem líder da extrema direita Jordan Bardella, que o RN apresenta como candidato ao cargo de primeiro-ministro, anunciou nesta sexta-feira que seu partido e o LR de Ciotti apresentarão candidaturas conjuntas em 70 circunscrições.
Ao contrário das eleições europeias, uma votação nacional, as 577 cadeiras da Assembleia Nacional (Câmara baixa) são distribuídas entre as circunscrições, em um sistema de eleição uninominal de dois turnos.
Para aumentar as possibilidades de vitória, o governo concordou com alguns membros do LR contrários a Ciotti em não apresentar candidatos rivais em 13 circunscrições em uma área rica do leste de Paris, incluindo as do primeiro-ministro Gabriel Attal.
Macron, que apresenta sua aliança como a única alternativa aos "extremos", estendeu na terça-feira a mão aos social-democratas e conservadores insatisfeitos com os acordos com o LFI e o RN para que se unam ao partido governista.
A incerteza política na segunda maior economia da União Europeia provocou uma forte queda na Bolsa de Paris, que fechou nesta sexta-feira sua pior semana desde março de 2022, após a invasão russa à Ucrânia, com uma desvalorização semanal de 6,23%.
burs-tjc/es/aa/fp/jb/am
C.Kovalenko--BTB